“VERSOS SATÂNICOS”
O autor do blog: www.liberacao.wordpress.com escreveu em uma suposta biografia sobre o Profeta Muhammad (sws) algumas acusações, que traduziu de sites anti-Islam, que em muitas vezes se apóiam em fontes mais do que desacreditadas, ou simplesmente falsas. Além do mais lhe falta puramente conhecimento sobre o Islam, para tecer comentários presunçosos. Tudo isto embebido em uma áurea de arrogância e ignorância. Quanto às fontes que utiliza, ora são traduções fora de contexto, ora (traduções) de trabalhos de missionários cristãos que se apóiam em escritos mais antigos e totalmente descartados ou plenos de respostas.Sendo assim, o autor deste blog escreveu:“As relações com os habitantes de Meca se tornaram especialmente azedas depois de um episódio conhecido como o “Os versos satânicos”. Em este episódio, Muhammed se adveio a reconhecer os deuses locais junto com o Allah, o que encantou às pessoas de Meca e que generosamente deram as boas vindas a sua nova postura. Entretanto Muhammed mudou isso logo que sua própria gente começava a perder sua fé nele. Alegou que Satã tinha falado através de seu corpo e retirou seu reconhecimento aos deuses de Meca. Os habitantes locais intensificaram então suas gozações para com os muçulmanos lhes fazendo a vida insuportável”http://liberacao.wordpress.com/2007/10/26/a-vida-da-muhammed-
Os “versos satânicos”:
“Viste vós Al-Lat e Al Uza, e a outra Manat, a terceira?”Qur’an (“Al Corão”) Surat An Najm: 19
Estes nomes são de divindades adoradas em regiões da Arábia pré-islâmica.A este verso acima, acusa-se o Profeta (sws) de ter adulado seus contemporâneos, da tribo de Coraix adicionando:
“Esses ídolos são honrados e respeitados, e a intercessão deles é aceita e esperada”.
Esta estória parece soar, mesmo depois de tanto tempo, como música aos ouvidos dos detratores do Islam, mas apesar disto, ela é cabalmente falsa:
1) A corrente de transmissão da narrativa é inaceitável, os narradores são desconhecidos ou falsos. Por conta disto NENHUM dos compiladores dos hadith (ditos, atos e aprovações do Profeta (sws)) o incluíram em suas compilações (ex: Sahih Bukhari, Sahih Muslim…).
2) O argumento dos referidos “Versos satânicos” são inaceitáveis. O falso “louvor” a estas divindades e logo depois a condenação e crítica às mesmas divindades, estariam na mesma recitação e no mesmo capítulo?
“Viste vós Al-Lat e Al Uza, e a outra Manat, a terceira? É de vós o varão e dEle a varoa? Esta é, nesse caso, uma partilha iníqua. Os ídolos não são senão nomes que nomeaste – vós e vossos pais – dos quais Allah não fez descer comprovação alguma. Eles (os idólatras) não seguem senão as conjecturas e aquilo pelo qual as (suas) almas se apaixonam. E, com efeito, chegou-lhes a orientação de Seu Senhor”. (An Najm 19 – 23)
· Narrado por Abu Huraira (as) que o Profeta (sws) disse: “Todo aquele que tomar um juramento no qual mencionar Lat e Uza, deve dizer: La ilaha illallah (Ninguém tem o direito a ser adorado senão Allah). (Bukhari).
· Segundo o Tafsir de Ibn Kathir: “Durante a batalha de Uhud Abu Sufyan disse:” Nós temos Al Uza, mas vocês não têm Al Uza. O Profeta (sws) respondeu: «قُولُوا: اللهُ مَوْلَانَا وَلَا مَوْلَى لَكُم» “Allah é quem nos suporta (sustenta) e vocês não têm quem lhes sustente.”
Alguns historiadores orientalistas usam como prova da existência dos “versos satânicos” o retorno dos muçulmanos da Abissínia, dizendo que a notícia de que alguns de Mecca haviam se convertido ao Islam, depois que o Profeta (sws) recitou os “versos satânicos” se espalhou. Mas estes mesmos autores esquecem-se de que são eles próprios que alegam que emigração ocorreu no mês de Rajab (sétimo mês do calendário islâmico) e o regresso se deu em Chawal (décimo mês), e a revelação da surat, capítulo An Najm se deu no Ramadan (nono mês). Assim sendo o período da revelação e do regresso seria de um mês. Como um mês seria suficiente para os muçulmanos irem da Abissínia à Mecca e ainda regressarem (no mesmo mês)? Saldadas as impossibilidades temporais, o que ocorreu foi que alguns muçulmanos regressaram à Mecca, pois achavam que tinha sido feito um pacto entre os coraixitas e o Profeta (sws). Isso se deu por conta da conversão de Omar Ibn Khattab (as) que deu confiança e força aos muçulmanos. Mas, após constatarem não terem sido modificadas as condições de trato em Mecca, partiram alguns, para a Abissínia novamente. Fico por aqui, postando mais tópicos, respostas ás mais acusações envolvendo os “Versos Satânicos”, pois, de onde então teria surgido a estória dos “versos satânicos”?Aguardem… inshallah.Salam
Multiculturalismo ?
Multiculturalismo ?
por Abu Bakr Al faraj
O medo de uma descaracterização da cultura local em detrimento à fatores externos, leva a lógicas estranhas que preferem o isolacionismo, ao entendimento da complexidade dos discursos, que se extendem por trás da já lugar comum, política do medo.
Em um mundo recheado de relações hipotéticas, como as relações econômicas somadas ao “nível de normalidade” vendidos pelos jornais e meios midiáticos, e a relação históricas dos fatos e seu construído esquecimento, regurgitado e lançado pelos meios midiáticos ao cidadão cada vez mais consumidor, levam à criação de uma realidade subjetiva que afasta o cidadão (“registered mark”) de seu papel como ator (atuante) no debate maior de suas ambições e conquistas como indivíduo ou grupo em uma sociedade.
Gera, uma distorção da idéia de Multiculturalismo. Os países que hoje sub-entitulam como “civilizados” ou “primeiro mundo”, são os maiores promotores dos “léxicos – tampões”, slogans tão vazios quanto um filme de teen terror americano. “Paz”, “Democracia” são léxicos que antes de serem erguidos em bandeiras devem ser entendidos em seu contexto amplo.
A paz antes de ser um objetivo sincero, é um conceito que pede muito àqueles que por ele se enveredam. Paz significa negociação, consentir e entender. E sobretudo, ceder.
Antes de promove-la como valor universal…
(quem se apropriou do termo “civilizado”?)
Então que se avaliem as atitudes daqueles que incitaram à imitação e ao macaqueamento cultural, à catequização constante por um credo de consumo, aos seus atos históricos embutidos aos seus discursos, que por vezes são nada mais que falácias oportunistas. Pois há uma distância entre o léxico e o conceito e maior ainda é o abismo que leva à ação.
Multiculturalismo ou Multiculturalização ?
Por vezes o desentendimento completo e total da complexidade de relações (atemporais ou não) envolvidas em um fato que se apresenta ao indivíduo o levam a reafirmar seus valores , seu nicho cultural em contraposição ao outro
(voltamos à civilização).
O debate entre civilisation e kultur que agitou a Europa, em meados do séc. XIX, é uma amostra. A Alemanha com seus valores nacionais enraizados a grosso modo na concepção de evolução de sociedades como etapa isolada e particular, sendo fundada em um discurso de cunho protestante (predestinação, valores individuais cultivados) era uma contraposição ao ideal francês (católico) de civilização como experiência universal, cujo ápice seria o seu próprio modelo.
Atualmente com a pluralidade de “reações afirmativas”, isto é, sentimentos cegos e ignorantes de repúdia ao estranho. (a quem atendem? em qual contexto? prioridade, e principalmente sua elevação ao repensar nacional e internacional?) talvez tenhamos retomado ao espectro que rondou o debate europeu (cujo verdadeiro ápice foi a Primeira e Segunda Guerra Mundial).
E refiro-me aqui mais ao discurso hegemônico do que ao seu abafado contradiscurso.
Fazer sobrepujar nossa própria falta de noção histórica, cultural, que ao longo do tempo atingiu a idiossincrasia do nacionalismo (uma tola lapidação de costumes face ao outro), é legar ao esquecimento a experiência cultural humana, que sempre se relacionou de empréstimos, trocas (não discuto os meios). Portanto, a história da nossa experiência nesta existência não é permeada pela execução tecnológica e intelectual de uma só nação na Terra. Todos fomos escolhidos para tal.
Entre Nous…
“Por certo, aos moslimes e às moslimes, e aos crentes e às crentes, e aos devotos e às devotas, e aos verídicos e às verídicas, e aos perseverantes e às perseverantes, e aos humildes e às humildes, e aos esmoleres e às esmoleres, e aos jejuadores e às jejuadoras e aos custódios de seu sexo e às custódias de seu sexo, e aos que se lembram amiúde de Allah e às que se lembram dele, Allah preparou-lhes perdão e magnífico prêmio”. Qur´an (”Al Corão”) – Al Ahzab (35).
CIDADE ESPANHOLA FAZ PLEBISCITO PARA TER PASSISTAS BRASILEIRAS
A população da cidade espanhola de Lalín decidiu em plebiscito que o carnaval local fosse aberto por passistas brasileiras, em meio a um intenso debate sobre uma eventual descaracterização da festa.
As passistas brasileiras eram presença garantida na Festa do Cozido de Lalín, que abre o Carnaval espanhol. Mas foram afastadas das celebrações nos últimos oitos anos por que os políticos de oposição argumentavam que o samba não fazia parte da cultura européia.
O prefeito do município de 20 mil habitantes (na Galícia, norte do país), apelou então para a votação popular. No plebiscito 75% da população voltou a favor da batucada e das passistas brasileiras.
”Aí estão as garotas brasileiras. São autênticas, como a que aparecem na TV do carnaval do Rio de Janeiro, olhem, olhem a sensualidade feminina!” disse no microfone o prefeito Xosé Crespo Iglesias, que animou o desfile da última quarta-feira.
A chegada do grupo brasileiro fez a população da cidade triplicar. Segundo a prefeitura, havia 60 mil pessoas no mini-sambódromo da Praça da Igreja.
As passistas e os ritmistas desfilaram pelas ruas (inclusive ante o único padre da cidade) ao som de sambas – enredo e no final, do hino nacional do Brasil. A decisão do prefeito, de realizar um provocou críticas da oposição: “Como se a maior preocupação fosse saber se o povo quer ou não ver bundas de fora”, disse o porta-voz do partido socialista, Manuel Aller.
A presença das brasileiras também provocou debates nos jornais locais. Muitas mulheres reclamavam da falta de passistas brasileiros no desfile. O apresentador do evento, o ator espanhol Santiago Rey, apimentou ainda mais a polêmica das mulatas. “O Carnaval da Galícia começa por Lalín com a festa mais saborosa e afrodisíaca. O que de mais sugestivo podemos ter com essas garotas à vista?” disse.
Publicado na BBC Brasil – edição online – 01/02/08
” Não gostamos daqueles desfiles de beleza medonhos, e tentamos parar de rir quando em 2003 os juízes do Miss Mundo consideraram uma afegã, Vida Samadzai, vestido um biquíni, como um gigante avanço na liberação das mulheres. Eles a deram um prêmio por representar “A vitória dos direitos femininos”.
Yvonne Ridley, muçulmana.
Al Massjid Al Aqsa – A verdadeira. E os planos de sua demolição. Parte 1
Algumas pessoas confudem a Mesquita de Al-Aqsa com a Cúpula do Domo da Rocha (Masjid Qubbat As – Shakrah). Além do interesse religioso, a vistosa cúpula dourada é parte da paisagem de Jerusalém e patrimônio da humanidade reconhecido pela UNESCO. A Cúpula da Rocha recebeu este nome devido ‘a grande rocha circunscrita a ela, protegida no interior da mesma. A iniciativa de confundir as duas mesquitas ( A do Domo da Rocha, (com a cúpula dourada) e a de Al Aqsa (com a cúpula prata), visa escamotear as pretensas atividades de cunho “científico” perpetradas por Israel, que visam tão somente o enfraquecimento da estrutura da Mesquita Al Aqsa, quiçá seu desmoronamento.
As escavações israelenses
Sob a alegação “escavações arqueológicas” e protegidos pelo exército, os israelenses conduzem operações que até agora conseguiram demolir uma ponte de madeira e um morro entre outras ações. Usando de violência contra civis, e impedindo o acesso de muçulmanos ‘a area, o estado de Israel foi denunciado por suas atividades pelo observador da ONU para a Palestina, Dr. Ryad Mansour, o qual em relato ao conselho de segurança das nações Unidas descreveu as ações israelenses como: violação perigosa das obrigações sob a lei humanitária internacional e diversas resoluções do Conselho de Segurança”. Segundo o Dr. Mansour : “As forças de ocupação de Israel mais uma vez provaram a sua falta de respeito ao povo palestino e aos locais sagrados do islam, inclusive interrompendo as orações da sexta-deira”. Segundo outro observador da ONU, Dr. Muin Shreim : ” A ocupação israelense tem o objetivo de expandir a colonização e implementar a judaização de jerusalém. com o apoio de grupos de colonos judeus “fanáticos”.
A Mesquita de Al Aqsa situa-se na cidade de Jerusalém, na área da cidade antiga, na parte Sul do Haram Al Sharif ( “Nobre Santuário”), lugar de suma importânica para o Islam depois de Makka e Medina. Possui capacidade para 5.000 pessoas. O nome Al Aqsa traduz-se como “mesquita distante” e alude ao Qur´an (Corão) quando é descrita a viagem noturna do Profeta (sws), de Makka á Massjid al Aqsa (Al Isra), ascendendo aos céus a partir deste ponto (Al Miraj). A estrutura atual da mesquita remonta ao séc. XI. Sua cúpula é folheada a prata. Construída pelo califa omíada Abd al-Malik ibn Marwan, que também ordenou a construção da “Cúpula da Rocha” no final do século VII. Sobre o local onde foi construída havia uma pequena mesquita do tempo do califa Omar Ibn Khattab (as). Em 705 já se encontrava pronta. Em 748 é reconstruída pelos califas abássidas, Al Mansur e Al Mahdi. Sendo que em 1035 é reconstruída pelo califa fatímida Al Zahir pelo mesmo motivo. A estrutura serviu como palácio e depois como quartel pelos cruzados até a reconquista efetivada por Salahudin (“Saladino”), doando o mesmo um mimbar (“púlpito”), ocasião em que retoma a estrtura sua função como mesquita. Entre 1938 e 1942 a mesquita foi alvo dos últimos grandes trabalhos de restauração. Em 1969 o turista australiano, cristão, Michael Dennis Rohan, lançou fogo ‘a mesquita, provocando danos como a destruição do mimbar doado por Salahudin. Quando em 1967, mediante a invasão israelense, a administração de toda a estrutura permaneceu nas mãos dos muçulmanos.
Conforme Gershon Salomon, líder dos “fiéis do Monte do Templo” : “Eu creio ser essa a vontade de Deus . Ela ( Al Aqsa) deve ser retirada. Devemos como sabem remove-la. E hoje temos todo o equipamento para fazer isso, pedra por pedra, cuidadosamente e embala-la e enviando-a de volta para Meca, o lugar de onde veio” (citado em Patti Lalonde, “Building the Third Temple”, Bible Prophecy Magazine, abril de 1995, p. 22. )
adaptado da revista Makka Al Mukarama n. 115 maio 2007, exceto a citação ‘a Gershom Salomon.
“Como os homossexuais são tratados no Iran…”
A foto acima é apresentada em sites que procuram sempre associar o Islam com violência e outras distorcidas concepções. Em um destes sites ela é apresentada sob o título “Como os homossexuais são tratados no Iran”. O ex-presidente Khatami ainda é destacado em uma suposta demonstração de conluio com a tortura. Esta foto na verdade foi tirada no museu de MUZEH EBRATE IRAN, en Teerã. O museu é uma antiga prisão chamada SAVAK que remonta aos tempos do Xá, Reza Pahlavi. Um dado importante é que na platéia um homem localizado á esquerda, sorrindo, usa gravata, o que não é costume no Iran, as estátuas, imagens, são todas de cera. Esta e outras fotos podem ser encontradas no site do museu: http://www.sajed.ir/pe/component/option,com_ponygallery/Itemid,4/func,detail/id,2598/
Como passei a amar o véu
Yvonne Ridley é editora política do canal Islam Channel Tv, em Londres e co-autora de “ In the Hands of Taliban : Her Extraordinary Story ”. Muçulmana, convertida ao Islam após ter sido capturada pelo Taliban em 2001.
COMO PASSEI A AMAR O VÉU
por Yvonne Ridley
Eu costumava olhar as mulheres em seus véus como criaturas oprimidas – até que fui capturada pelo Taliban. Em Setembro de 2001, apenas 15 dias após os ataques aos EUA, eu entrei furtivamente no Afeganistão, coberta por uma burca azul que ia dos pés a cabeça. Tinha como intenção escrever um relato para um jornal contando como seria a vida sob um regime repreensivo. Ao invés disto, fui descoberta, presa, detida por dez dias. Eu cuspi e xinguei meus captores, eles me chamaram de mulher “má”, mas me deixaram ir após prometer ler o Quran (Al Corão) e estudar o Islam. (Francamente, não sei quem estava mais feliz quando liberta – eles ou eu).
De volta para casa, Londres. Mantive minha palavra sobre estudar o Islam – E fiquei espantada com o que descobri. Eu esperava encontrar no Quran capítulos que apresentariam “Como bater em suas esposas e oprimir suas filhas”. Mas ao invés disto, encontrei partes que incentivavam a liberação das mulheres.
Dois anos e meio depois da minha captura, me converti ao Islam, provocando uma mistura de assombro, decepção e encorajamento entre meus parentes e amigos. Agora, é com desgosto e consternação que vejo, aqui na Inglaterra, o ex-secretário de exterior Jack Straw descrever o nikab – véu que deixa a mostra só os olhos – como uma barreira à integração, tendo o primeiro ministro Tony Blair, o escritor Salman Rushdie e até mesmo o primeiro ministro italiano Romano Prodi correndo em sua defesa.
Já tendo estado em ambos os lados do véu, posso lhes dizer que muitos homens, no Ocidente, políticos e jornalistas que lamentam a opressão das mulheres no mundo muçulmano, não têm idéia do que estão dizendo. Eles falam sobre véus, casamentos infantis, circuncisão feminina, mortes, casamentos forçados, e erroneamente culpam o Islam por isto.
Sua ignorância só é superada pela sua própria ignorância. Estas questões culturais, em nada têm haver com Islam. Uma lida cuidadosa no Quran mostra que tudo o que foi reivindicado pelas feministas nos anos 70 estava á disposição das mulheres muçulmanas há 1400 anos.
As mulheres no Islam são consideradas iguais aos homens na educação, espiritualmente, e em valor, e o dom em cuidar de uma criança, no seu desenvolvimento, é visto como um atributo positivo.
Enquanto o Islam oferece às mulheres tanto, por que os homens ocidentais estariam tão obcecados com as vestimentas das muçulmanas? Até os ministros de governo Gordon Brown e John Reid fizeram comentários desastrosos sobre o nikab e eles vêm da fronteira com a Escócia, onde homens vestem saias.
Quando me converti ao Islam e comecei a usar o véu, as repercussões foram enormes – Tudo o que fiz foi cobrir minha cabeça e cabelos – mas instantaneamente virei cidadã de segunda classe. Sabia disto ouvindo de islamofóbicos, mas, não esperava tanta hostilidade de estranhos. Táxis passavam por mim sem parar. Um motorista após deixar um passageiro bem na minha frente, olhou-me com raiva. Quando cheguei até sua janela, partiu em seguida. Em outra ocasião ouvi : “Não deixe uma bomba no assento traseiro”. Perguntei: “Cadê o Bin Laden”?
Sim, é uma obrigação da mulher muçulmana se vestir modestamente, mas a maioria das muçulmanas que conheço, gostam de usar o hijab, que deixa o rosto descoberto, outras preferem o nikab. É uma decisão pessoal.
Minha roupa diz que sou uma muçulmana e que espero ser tratada respeitosamente, assim como um banqueiro de Wall Street diria que seu terno o define como um executivo sério. E especialmente entre os convertidos, como eu, homens que tratam suas mulheres de maneira inapropriada, não são tolerados. Eu fui uma feminista por muitos anos, mas descobri que as muçulmanas feministas são mais “radicais” do que as seculares ocidentais.
Não gostamos daqueles desfiles de beleza medonhos, e tentamos parar de rir quando em 2003 os juízes do Miss Mundo consideraram uma afegã, Vida Samadzai, vestido um biquíni, como um gigante avanço na liberação das mulheres. Eles a deram um prêmio por representar “A vitória dos direitos femininos”.
Algumas jovens feministas consideram o hijab e o nikab, símbolos políticos também. Uma maneira de rejeitar os excessos da civilização ocidental como bebidas, sexo casual e drogas.
O que é mais liberal? Ser julgada pelo tamanho da sua saia ou o tamanho dos seus seios (cirurgicamente adquiridos) ? Ou ser julgada pelo seu caráter e inteligência? No Islam superioridade é atingida pela piedade, não beleza, riqueza, poder, posição ou sexo.
Eu não sei se ria ou gritava quando o primeiro ministro italiano Prodi se juntou ao debate, semana passada declarando ser de “senso comum” não usar o nikab por que isto faz com que as relações sociais se tornem mais “difíceis”. Sem sentido. Neste caso, então por que telefones celulares, e-mails, mensagens de texto e aparelhos de fax são tão usados? E ninguém desliga o rádio por que não vê a face do apresentador…
No Islam sou respeitada. O Islam me diz que eu tenho direito à educação e que meu dever é procurar o conhecimento, não importa se casada ou não. Em nenhum lugar entre os pilares do Islam está estabelecido que uma mulher deva lavar, limpar e cozinhar para os homens, ou aos homens ser permitido a bater em suas mulheres. Isto não é verdade. Críticos do Islam irão citar os versos do Quran ou hadith (ditos do Profeta (sws)), mas geralmente fora de contexto.
Se um homem levanta um dedo contra sua esposa, ele não pode deixar nela nenhuma marca, é como se o Quran dissesse: “Não bata na sua esposa seu estúpido”. Não são somente os homens muçulmanos que deveriam reavaliar o tratamento dispensado ás mulheres. De acordo com uma pesquisa nacional sobre violência doméstica, em uma média de 12 meses, 4 milhões de mulheres americanas são agredidas por seus parceiros, Mais de três mulheres são assassinadas por seus maridos, namorados, todos os dias. O que é próximo á 5.500 desde 11 de setembro de 2001.
Homens violentos não vêm de nenhuma tradição religiosa ou cultural em particular. Uma em cada três mulheres ao redor do mundo é espancada, forçadas a terem relações sexuais e outros tipos de abuso, de acordo com a mesma pesquisa.
Este problema global transcende a religião, classe, cultura. Mas isto também é real no Ocidente, os homens ainda crêem serem superiores ás mulheres, não importa o quanto dizem não. Eles ainda recebem os melhores salários em condições de trabalho “iguais”, e mulheres ainda são tratadas como mercadorias, sexualizadas. Seu poder e influência ainda se originam na sua aparência.
E para aqueles que ainda estão tentando bradar que o Islam oprime as mulheres, recordo-me do pronunciamento do Rev. Pat Robertson, em 1992, oferecendo seu ponto de vista sobre as mulheres : “feminismo é um socialismo, um movimento político anti-família que encoraja as mulheres a abandonarem seus maridos, matar suas crianças, praticar bruxaria, destruir o capitalismo e tornarem-se lésbicas”.
Agora me diga quem é o “civilizado”, quem não o é ?
Publicado no Washington Post em 22 de outubro de 2006
Diálogos
“Os cristãos encontraram os muçulmanos pela primeira vez como conquistadores: É bastante compreensível que tenham visto o Islam como intrisicamente belicista. Dada a atmosfera intelectual e religiosa da época, a única maneira pela qual conseguiram explica-lo de forma convivente para si mesmos, foi como um tipo aberrante de cristianismo. Temos aí os dois ingredientes como essenciais da imagem cristã do Islam: Muhammad (sws) como pseudoprofeta, impostor, e seus seguidores como homens sanguinários e violentos”.
Richard Fletcher “The Cross and the Crescent”
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