Multiculturalismo ?
Multiculturalismo ?
por Abu Bakr Al faraj
O medo de uma descaracterização da cultura local em detrimento à fatores externos, leva a lógicas estranhas que preferem o isolacionismo, ao entendimento da complexidade dos discursos, que se extendem por trás da já lugar comum, política do medo.
Em um mundo recheado de relações hipotéticas, como as relações econômicas somadas ao “nível de normalidade” vendidos pelos jornais e meios midiáticos, e a relação históricas dos fatos e seu construído esquecimento, regurgitado e lançado pelos meios midiáticos ao cidadão cada vez mais consumidor, levam à criação de uma realidade subjetiva que afasta o cidadão (“registered mark”) de seu papel como ator (atuante) no debate maior de suas ambições e conquistas como indivíduo ou grupo em uma sociedade.
Gera, uma distorção da idéia de Multiculturalismo. Os países que hoje sub-entitulam como “civilizados” ou “primeiro mundo”, são os maiores promotores dos “léxicos – tampões”, slogans tão vazios quanto um filme de teen terror americano. “Paz”, “Democracia” são léxicos que antes de serem erguidos em bandeiras devem ser entendidos em seu contexto amplo.
A paz antes de ser um objetivo sincero, é um conceito que pede muito àqueles que por ele se enveredam. Paz significa negociação, consentir e entender. E sobretudo, ceder.
Antes de promove-la como valor universal…
(quem se apropriou do termo “civilizado”?)
Então que se avaliem as atitudes daqueles que incitaram à imitação e ao macaqueamento cultural, à catequização constante por um credo de consumo, aos seus atos históricos embutidos aos seus discursos, que por vezes são nada mais que falácias oportunistas. Pois há uma distância entre o léxico e o conceito e maior ainda é o abismo que leva à ação.
Multiculturalismo ou Multiculturalização ?
Por vezes o desentendimento completo e total da complexidade de relações (atemporais ou não) envolvidas em um fato que se apresenta ao indivíduo o levam a reafirmar seus valores , seu nicho cultural em contraposição ao outro
(voltamos à civilização).
O debate entre civilisation e kultur que agitou a Europa, em meados do séc. XIX, é uma amostra. A Alemanha com seus valores nacionais enraizados a grosso modo na concepção de evolução de sociedades como etapa isolada e particular, sendo fundada em um discurso de cunho protestante (predestinação, valores individuais cultivados) era uma contraposição ao ideal francês (católico) de civilização como experiência universal, cujo ápice seria o seu próprio modelo.
Atualmente com a pluralidade de “reações afirmativas”, isto é, sentimentos cegos e ignorantes de repúdia ao estranho. (a quem atendem? em qual contexto? prioridade, e principalmente sua elevação ao repensar nacional e internacional?) talvez tenhamos retomado ao espectro que rondou o debate europeu (cujo verdadeiro ápice foi a Primeira e Segunda Guerra Mundial).
E refiro-me aqui mais ao discurso hegemônico do que ao seu abafado contradiscurso.
Fazer sobrepujar nossa própria falta de noção histórica, cultural, que ao longo do tempo atingiu a idiossincrasia do nacionalismo (uma tola lapidação de costumes face ao outro), é legar ao esquecimento a experiência cultural humana, que sempre se relacionou de empréstimos, trocas (não discuto os meios). Portanto, a história da nossa experiência nesta existência não é permeada pela execução tecnológica e intelectual de uma só nação na Terra. Todos fomos escolhidos para tal.
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